Bolsonaro afirma que “limpará” todos os ministérios e acabará com a corrupção, adversários se preocupam

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Em frente ao Congresso Nacional um boneco inflável gigante vestindo terno com gravata e fazendo sinal de continência estava instalado.

Dentro de um dos plenários da Câmara, quase 200 pessoas se amontoam para assistir a um anúncio do personagem que inspirou aquele boneco. O protagonista da noite era o deputado federal de extrema direita Jair Messias Bolsonaro, que anunciava o seu desligamento do PSC, a sua filiação ao PSL e dava o pontapé inicial em sua plataforma eleitoral rumo à Presidência da República.

Discursou para uma plateia de convertidos, que ora o chamavam de presidente, ora o chamavam de mito. Defendeu o armamento da população. Pediu ajuda para eleger a “bancada da metralhadora”. Reconheceu que não entende de economia.

Disse não ser homofóbico ou racista. Garantiu que jamais se sentará em qualquer mesa de negociação com partidos de esquerda, como PT, PSOL e PCdoB. E repetiu alguns de seus pensamentos que tanto ecoam nas redes sociais e garantiram a ele a segunda colocação nas pesquisas até o momento.

Em um discurso de 34 minutos, Bolsonaro afirmou que reduzirá de 29 para 15 o número de ministérios no Brasil. Disse que irá anunciar seus ministros (civis e militares) no início da campanha eleitoral e que não aceitará as negociações do toma-lá-dá-cá, tão comum na política nacional.

Prometeu fazer uma limpeza generalizada nas empresas estatais, sendo que dois terços das 150 existentes seriam extintas (um terço na primeira semana de seu eventual governo) e as que restassem seriam quase todas privatizadas. Chamou trabalhadores sem-terra de terroristas e disse que “os marginais do sem-teto vão ter um candidato à presidência”. Uma referência ao líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-teto, Guilherme Boulos, que lançou sua pré-candidatura na segunda-feira passada pelo PSOL.

Sua postura radical já é bastante conhecida no meio político. Agora oficializado como pré-candidato, as falas de Bolsonaro ganham mais peso, todavia. Quando promete ser um presidente firme contra a criminalidade e a corrupção ele diz: “Violência se combate com energia e, se for o caso, com mais violência”.

Na sua fala, ele defendeu que a população seja armada, para, entre outros, evitar a instalação de uma ditadura. Segurando a bandeira do Brasil disparou: “Só tem uma maneira dessa bandeira ficar vermelha, com o meu sangue”.Tentando se desvincular de uma pecha que parte de seus adversários tenta colar nele, Bolsonaro disse ser contra ditaduras.

“Nós militares sempre fomos amantes da liberdade e da democracia”. Dessa vez, ao contrário do que fez na votação do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff (PT) não defendeu um torturador da ditadura militar brasileira, o general Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem ele definiu como o “pavor de Dilma Rousseff”.Militante ao lado de boneco inflvel de Bolsonaro
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O ato de anúncio da filiação e pré-candidatura de Bolsonaro deixou bem claro como será sua campanha. Ele encontrou no PSL o “seu” partido. O atual presidente da sigla, o deputado Luciano Bivar, era um mero coadjuvante na cerimônia de quarta-feira.

O advogado eleitoral Gustavo Bebianno, ligado a Bolsonaro foi anunciado como o presidente e exercício. A comunicação do partido já está toda concentrada em assessores do deputado. E nem a saída de dois deputados federais da legenda foi sentida.

Afinal, Bolsonaro deve carregar consigo outros 20 parlamentares, sendo que sete já anunciaram sua filiação nesta quarta-feira.Apesar da onda favorável dentro do Congresso Nacional, o militar da reserva sabe que nem tudo são flores para sua campanha.

Seu desafio agora será o de reunir partidos de direita que se juntem a sua coligação e tragam consigo duas coisas que faltam para o PSL e são essenciais para qualquer disputa presidencial: dinheiro e tempo de propaganda.

A soma dos fundos partidário e eleitoral hoje disponível para o PSL é de 12,8 milhões de reais. As campanhas presidenciais de Dilma e Aécio Neves (PSDB), em 2014 quando a doação empresarial era permitida, gastaram 350 milhões de reais e 216 milhões de reais, respectivamente. Sozinho o PSL tem oito segundos de tempo de publicidade. Sua meta é multiplicar esse tempo por pelo menos quatro. Para isso, já iniciou conversas com o PRB, o PR e o PP.

O primeiro deles já sinalizou que a aliança é possível. O senador capixaba Magno Malta, uma das principais lideranças do PRB, o partido vinculado à Igreja Universal, esteve no ato de Bolsonaro e prometeu que fará campanha para ele. Quando estava prestes a discursar, Malta ouviu parte do auditório o chamar de vice, mas de pronto ele refutou essa possibilidade. Disse que é candidato à reeleição, mas que o futuro a Deus pertence.

A eventual união com o PRB significa mais 77,2 milhões de reais para campanhas, além de 27 segundos de propaganda. O cálculo da publicidade é feito conforme a bancada que cada partido elegeu em 2014. Por isso, nem mesmo esse crescimento vertiginoso do PSL pode ajudá-lo nesse desafio.


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